Correlação e diversificação

Publicado
15 de junho de 2023

A fim de minimizar o impacto da volatilidade dos mercados, o investidor deverá diversificar os seus ativos, tendo em conta o grau de correlação entre os diferentes títulos. Para o efeito, deverá avaliar a correlação entre dois instrumentos financeiros e acompanhar o risco de variação da interdependência entre os preços dos referidos ativos.

O que é a correlação?

À semelhança do efeito borboleta, o aumento ou descida do valor de um ativo pode ter um impacto direto e significativo sobre outros ativos, a priori muito diferentes. É o que se designa por correlação.

Correlação negativa...

Tomemos um exemplo simples. Quando o preço do petróleo aumenta, as cotações das ações das companhias aéreas podem baixar. Porquê? Pura e simplesmente porque o aumento de preços do combustível das aeronaves provoca a subida dos custos operacionais das companhias aéreas. Esta situação pode ter um impacto desfavorável sobre a sua rentabilidade e resultar na queda das suas cotações. É o que se designa por correlação negativa.

Ou positiva

Outro exemplo: o impacto das moedas sobre as cotações das empresas exportadoras. A depreciação do euro face ao dólar norte-americano terá um impacto positivo sobre as empresas europeias que exportam para os Estados Unidos. Em contrapartida, esta situação agravará o custo das exportações para as empresas norte-americanas que exportam para a Europa. Por conseguinte, o mesmo movimento pode implicar uma correlação positiva ou negativa.

As matérias-primas também podem estar correlacionadas entre si

A título de exemplo, o ouro e a prata têm frequentemente uma correlação positiva, pois são ambos metais preciosos utilizados como títulos de refúgio. De igual modo, as cotações do cobre podem estar correlacionadas com as do petróleo, uma vez que são matérias-primas habitualmente utilizadas na produção de energia e de produtos industriais. Estes exemplos demonstram a importância de uma boa compreensão da correlação dos ativos na construção de uma carteira de investimentos diversificada.

A utilização da correlação numa estratégia de diversificação

Ao diversificar a carteira através da seleção de ativos não correlacionados, os investidores podem diminuir a sua exposição aos riscos específicos de determinados ativos e atenuar as flutuações da sua carteira em geral. Esta estratégia permite reduzir certos riscos e, potencialmente, obter um desempenho mais regular e estável. Por exemplo, podemos combinar ações de empresas e obrigações soberanas (títulos de dívida pública), pois considera-se que há uma ligeira correlação entre estas duas classes de ativos, ou até mesmo negativa, tal como tem sido em larga medida o caso nos últimos vinte anos.

Uma estratégia a analisar ao longo do tempo

Todavia, uma correlação pode alterar-se ao longo do tempo. Assim sendo, é importante analisá-la frequentemente. Entre 2000 e 2020, as obrigações e as ações tiveram tendência para evoluir em sentidos contrários, sendo que uma compensou a outra e amorteceu a outra classe de ativos. Deste modo, nos períodos de queda dos índices bolsistas, as obrigações permitiram proteger o património dos investidores. No entanto, em 2022, as ações e as obrigações sofreram choques regulares e simultâneos. As duas principais classes de ativos que estruturam o funcionamento dos mercados (as ações e as obrigações) evoluíram no mesmo sentido, no rescaldo da vaga inflacionista. Como tal, é crucial identificar os fatores que podem causar aa variação desta correlação ao longo do tempo.

De igual modo, um investidor que pretenda investir na ação menos correlacionada do índice Cac-40, poderá ser tentado a comprar ações da Hermès ou da Véolia, as que apresentaram a menor correlação com o índice principal da Bolsa em 2021. No entanto, as ações que demonstraram as melhores taxas de descorrelação com o índice Cac 40 em 2022 foram as da Thales e da TotalEnergies*.

  • Thales + 59,49% - TotalEnergies + 33,69% - Cac 40: -12 %

Tal demonstra que a utilização da correlação na diversificação de uma carteira pode ajudar a limitar os riscos através da distribuição dos investimentos por diversos ativos e classes de ativos, tais como as ações, obrigações, matérias-primas, moedas, imóveis...

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